quarta-feira, 3 de junho de 2009
Closer
Soprava as bolhas de sabão sem cuidado, com desleixo. Era um hábito sem importância, que facilmente teria sido substituído por outro, caso não tivesse começado a dar significância demais. Tudo começou, de forma absurda, quando as cores marrom e verde refletiram-se em uma bolha de sabão. O sol brilhava fracamente naquele fim de tarde, o frio implacável do inverno podia ser distinguido na ponta do nariz vermelho e nos lábios rachados. Na insignificância da transparência da bolha que subia lentamente, na brincadeira de criança – esquecendo-se das mãos geladas -, vislumbrou a cor dos olhos dele quando olhava nos olhos dela. Não era a simplicidade dos castanhos ou a repetição de seus orbes verdes que a interessou. Mas, sim, a cor que eles admitiam quando se misturavam, quando os verdes eram refletidos nos castanhos e a magnificência em que se transformavam. A lembrança do que sentira quando vira pela primeira, a luz da manhã já se adiantava pela janela sem cortinas, e o esplendor com que o brilho dos olhos atingiu o coração e cada poro de seu ser era indescritível. Porém a lembrança atingira-a com aquele passatempo tão pueril, um espasmo de calor, de momentos, a lembrou de como se sentia perto – mesmo na distância.
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