Como poder explicar o que ele era para mim? De todas as formas e significados e cores e palavras, podia dizer que era como a noite, o céu, o luar, a neblina que esconde a lua cheia. E por ser tudo isto, era inalcansável. Mas quando me abraçava, me deixava sentir sua pele na minha, em baixo do edredom, naquele dia invernal, o hálito quente e adocicado, nossos olhos fechados, os narizes encostados, a minha taquicardia, aquilo era ainda o céu da noite, como agarrar estrelas. Como sentir a infinidade dos sentimentos, porque ali, naquele dia, naquele momento, eles existiram. Talvez não tão eternamente, mas com toda a beleza das coisas simples. Como alguém poderia entender o que senti? Como colocar em palavras sem tirar toda a beleza? Não acho que seja errado enfeitar, metaforizar, descrever. Eu beijei estrelas, eu confundi, em certa hora, o brilho delas com algo mais brilhante, ali, comigo, eu disse a coisa certa, na hora certa. E, isto sim, vai contra todos os fatos. Eu nunca digo as coisas certas, quiçá nas horas exatas. Eu consumi certa dose de amor e fui consumida. Parece o tipo de coisa que só acontece uma vez, mas você sabe que foi tão real - e também tão imaginário -, que sente que pode sonhar com isso para o resto da vida.
Até sentir de novo e ser tomado por outra coisa mais intensa.
Só mais um episódio, coisas da vida.
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